Twitter e o célebre “lápis azul”

“É boa [a nova abordagem] para a liberdade de expressão, transparência e responsabilidade – e para os nossos utilizadores”. É a justificação dada pela rede social Twitter quando confrontada com a decisão de censurar os twitters contrários às leis do país onde são publicados, sempre que haja um pedido legal “válido e aplicável”.

As reacções dos utilizadores, previsivelmente pouco satisfeitos, não se fizeram esperar. Afinal de contas, falamos de uma situação em que primeiro é oferecido um serviço à sociedade, sendo inclusivamente usado pelas massas na construção/reforço do capital social e na sua mobilização (tomemos o recente exemplo da Primavera Árabe), para depois restringir o seu uso e, consequentemente, limitar o poder oferecido aos utilizadores. Um retrocesso será sempre contrário à evolução e como tal será sempre encarado de forma negativa.

Bom, e podem perguntar-me: o que é que isto tem a ver com a comunicação? Tudo. Antes de considerar oferecer serviços que possam acrescentar valor e permitir distinguir-se da concorrência, as marcas devem pensar não só a curto prazo, mas igualmente a médio e longo prazo. Lembrar-se que, se não for claramente explicada a durabilidade dessas “oferendas”, os clientes vão tomar como garantido esses serviços e quando quiser tirá-los eles não irão ceder facilmente e reagirão contra si. Daí que qualquer decisão deverá ser tomada de forma responsável, estrategicamente, já que tudo o que é dito e feito por uma organização constrói a imagem de marca.

A imagem, atrevo-me a dizer, romântica e revolucionária, do Twitter, como plataforma capaz de fornecer o poder da palavra e do conhecimento às massas, a de defensora da liberdade de expressão, foi inquestionavelmente abalada. Pois é, não se pode agradar a gregos e a troianos em simultâneo.

As cartas estão em cima da mesa: ou há Twitter, com censura, ou então não há Twitter para ninguém, para já em alguns países. O que preferem?

Se Pessoa aqui estivesse provavelmente diria, pelas palavras de Ricardo Reis,
“Para ser grande, sê inteiro : nada teu exagera ou exclui.”

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