Doidos por Lady Gaga

Gostando ou não das suas músicas, a Lady Gaga é indiscutivelmente um fenómeno popular que atrai a atenção não só dos seguidores da música ou da cultura popular, mas inclusivamente da academia! Sim, leu bem. A academia está oficialmente rendida aos encantos desta senhora que ainda não há muito tempo entrou nos MTV Video Music Awards com um vestido de… carne, sendo a prova deste fascínio o conjunto de teses cientificas que tem sido desenvolvido um pouco por todo o mundo.

Do ponto de vista do branding, Gaga é como ela própria reconhece “the master of the art of fame” (a mestre da arte da fama) e algumas lições fundamentais podem ser retiradas na forma como tem construído a sua marca, que, sejamos sinceros, mais deve à sua habilidade estratégica e de auto-promoção do que aos seus dotes musicais:

1. O poder de ser diferente. A sua capacidade de se apresentar e de surpreender o público, de forma teatral, tem conseguido obter a atenção e a cobertura mediática numa escala mundial, distinguindo-a do resto da concorrência. Procure enfatizar o que o distingue dos outros (na gíria publicitária, estamos perante o chamado “unique selling proposition”) e sobretudo pense/seja diferente, especialmente quando há muita concorrência.

2. Quando chegar ao topo, não perca a humildade. Mesmo depois de se tornar num ícone da música pop, Gaga não deixa de agradecer (constantemente) aos seus fãs. Isto porque ela sabe que da mesma forma que o público a pôs no topo, também a pode pôr nos últimos lugares. Não tome por garantido os seus clientes/consumidores. Ao invés, faça-os ver que lhes está grato e sempre que possível, compense-os.

3. Se não os pode vencer, junte-se a eles! Enquanto que alguns artistas proíbem ou ficam chateados de ver as suas músicas a serem reproduzidas por terceiros no Youtube, Lady Gaga decide chamar os artistas-anónimos para participar nos seus concertos! (http://abclocal.go.com/kabc/story?section=news/entertainment&id=7995818)

4. “Marketing Is a Lifestyle”. Lady Gaga não se lembra dos seus seguidores apenas quando está a lançar um disco. Todos os dias trabalha para manter uma relação próxima com aqueles e para manter a sua marca no buzz. Eis uma regra preciosa no marketing político!

5. Toda a gente gosta de um pouco de show: Gaga sabe que o seu público vai aos seus concertos não só pelas músicas, mas também pelo espectáculo que sabe que irá experienciar e comentar (esta regra a família real inglesa conhece-a bem!). Já não basta investir no seu produto ou serviço – aposte também nos serviços pós-venda.

6. Passa palavra: Gaga promove e encoraja a partilha dos seus concertos, contribuindo para a ocorrência do passa palavra. É caso para dizer que, presentemente, aquilo que não se comunica, não existe.

7. Detalhes e mais detalhes. Que não haja dúvidas que tudo o que ela faz, diz ou veste é pensado, não deixando nada do que está relacionado com o seu produto e marca ao acaso. Certifique-se de que todos os seus canais de comunicação estão a trabalhar juntos para promover uma mesma identidade de marca e uma mesma mensagem. Para além disso, tenha em conta que os diferentes departamentos de uma organização devem trabalhar com o mesmo objectivo final e não como concorrentes ou entidades separadas. Já diziam os gestaltistas, “o todo é superior à soma das partes”!

8. Não peça apenas, dê também algo ao seu público e à sociedade. Numa expressão, responsabilidade social. Em Novembro do ano que findou a cantora afiliou-se à prestigiada universidade de Harvard, ao lançar com aquela uma fundação sem fins-lucrativos designada “Born This Way” (também o nome de uma das suas canções), que tem como fim prestar tutelar adolescentes e combater o bullying. Mais uma vez, não é por acaso que a “master of the art of fame” escolheu apoiar uma instituição que tem como target um público jovem…

Por último, deixo-vos um vídeo com a entrevista que a cantora concedeu ao conhecido programa 60 minutos de onde se poderão retirar mais alguns ensinamentos:

Anúncios

O poder da diferença

Este filme foi gravado em 2003, mas continua actual, e fala sobre como chave para o sucesso está na capacidade de ser diferente, numa altura quem que os consumidores estão repletos de escolhas e pouco tempo para verificar todas as opções.

Do filme destaco uma frase que espero que vos faça pensar: “Consumers don’t care about you, at all!” (“Os consumidores não querem saber de si, mesmo”), Seth Godin.

Para visualizar o filme vá a este link: seth_godin_on_sliced_bread.html

Twitter e o célebre “lápis azul”

“É boa [a nova abordagem] para a liberdade de expressão, transparência e responsabilidade – e para os nossos utilizadores”. É a justificação dada pela rede social Twitter quando confrontada com a decisão de censurar os twitters contrários às leis do país onde são publicados, sempre que haja um pedido legal “válido e aplicável”.

As reacções dos utilizadores, previsivelmente pouco satisfeitos, não se fizeram esperar. Afinal de contas, falamos de uma situação em que primeiro é oferecido um serviço à sociedade, sendo inclusivamente usado pelas massas na construção/reforço do capital social e na sua mobilização (tomemos o recente exemplo da Primavera Árabe), para depois restringir o seu uso e, consequentemente, limitar o poder oferecido aos utilizadores. Um retrocesso será sempre contrário à evolução e como tal será sempre encarado de forma negativa.

Bom, e podem perguntar-me: o que é que isto tem a ver com a comunicação? Tudo. Antes de considerar oferecer serviços que possam acrescentar valor e permitir distinguir-se da concorrência, as marcas devem pensar não só a curto prazo, mas igualmente a médio e longo prazo. Lembrar-se que, se não for claramente explicada a durabilidade dessas “oferendas”, os clientes vão tomar como garantido esses serviços e quando quiser tirá-los eles não irão ceder facilmente e reagirão contra si. Daí que qualquer decisão deverá ser tomada de forma responsável, estrategicamente, já que tudo o que é dito e feito por uma organização constrói a imagem de marca.

A imagem, atrevo-me a dizer, romântica e revolucionária, do Twitter, como plataforma capaz de fornecer o poder da palavra e do conhecimento às massas, a de defensora da liberdade de expressão, foi inquestionavelmente abalada. Pois é, não se pode agradar a gregos e a troianos em simultâneo.

As cartas estão em cima da mesa: ou há Twitter, com censura, ou então não há Twitter para ninguém, para já em alguns países. O que preferem?

Se Pessoa aqui estivesse provavelmente diria, pelas palavras de Ricardo Reis,
“Para ser grande, sê inteiro : nada teu exagera ou exclui.”

Previsões Social Media para 2012

O site “Social Media Examiner” reuniu recentemente 30 previsões de social media experts para o ano 2012.

Segundo vários especialistas, este será o ano em que muitas empresas irão começar a entender o social media marketing e a usá-lo estrategicamente. Isto é, ao invés de quererem estar em todo o lado e de consequentemente diluírem os seus esforços no vasto mundo do social media, as marcas devem procurar estar de forma eficaz onde se encontra o seu público-alvo, mesmo que isso implique não ser no Facebook ou no Twitter. Para além disso, devem perguntar-se como poderão ajudar os seus clientes a ter sucesso (e não o inverso). A verdadeira atitude de uma empresa aparece de forma inevitável no seu comportamento: nos tópicos de conversação, nos tweets e actualizações de status, nas ofertas de negócio, etc.

As marcas devem ainda estar aptas para uma reacção ágil e em tempo real. Longe vão os dias em que levavam 6 meses para desenvolver e lançar uma campanha ou 5 dias para responder a um cliente insatisfeito.

Novos apps irão ajudar os cibernautas a lidar com o excesso de informação, o que se poderá traduzir numa melhoria da leitura e da partilha de conteúdo. Este último continuará a ser “rei”, havendo uma maior exigência por conteúdos úteis, com qualidade constante. É caso para dizer que a qualidade estará acima da quantidade.

2012 verá ainda maior actividade social nos dispositivos móveis. Uma quantidade significativa da actividade on-line que os consumidores anteriormente realizavam através de um computador espera-se que seja feita por meio de um smartphone ou tablet.

As redes sociais de topo (Twitter e Facebook) competirão através da adição de mais recursos e a concorrência da parte da Google+ previsivelmente aumentará. No que concerne ao Facebook, o seu crescimento irá inspirar as empresas a criar experiências únicas de marketing, através de aplicações sofisticadas e interactivas. Por sua vez, o Youtube vai finalmente ser reconhecido como uma grande rede social tal como deseja e a sua audiência (não apenas os criadores de conteúdo) irá obter maior diversão e interacção com o site.

Teorias que o marketing pode aprender com a física

À primeira vista, a física e o marketing não parecem ter muito em comum, mas Dan Cobley, apaixonado por ambas, consegue mostrar as similitudes deste casal improvável ao explicar as teorias fundamentais do branding usando a segunda lei de Newton, o princípio de incerteza de Heisenber, o método científico e a segunda lei da termodinâmica.

Ora vejam: