Uma caverna e um icebergue

Quem me conhece possivelmente já me ouviu contar a célebre alegoria da caverna de Platão (retirada do livro “A República”), já que para mim continua a ser um excelente exemplo de como diferentes pessoas reagem à mudança. Para quem ainda não a conhece, eis a história:

Imaginem uma caverna onde vive um grupo de pessoas que nunca saiu à rua. Entre a caverna e o exterior encontra-se um muro e uma fresta deixa passar um feixe de luz exterior. Estas pessoas estão de costas para a entrada, acorrentadas, sem se poder mover, forçadas a olhar somente para a parede. Nesta são projectadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Os prisioneiros julgam portanto que as sombras representam a realidade. Um dia, um dos prisioneiros consegue escapar e sair à rua. Imediatamente descobre que tudo o que ele acreditava existir são meras sombras da realidade, sendo que o mundo exterior é mais rico do que alguma vez poderia imaginar. Então, lembra-se dos seus companheiros e do quão errados estão. Decide voltar para partilhar com eles o que viu e sabe. Os companheiros ouvem o relato do colega embasbacados e no final matam-no por o considerarem louco e mentiroso.

Para algumas pessoas torna-se mais fácil negar a nova realidade ou mesmo desvalorizar os sinais que são dados por terceiros do que deixar a zona confortável a que se habituaram e que dominam. Aceitar a mudança poderá implicar pôr em causa as próprias bases de uma actividade, forma de pensar ou mesmo de viver e a resistência a ela não tem que necessariamente ter que ver com a idade, como crêem alguns, mas sim com o comodismo, a auto-confiança, o modo como se reage perante o risco, o desconhecido.

A propósito de gestão de mudanças, recentemente (2011) Kotler e Rathgeber publicaram o livro “O nosso icebergue está a derreter“, que pretende mostrar a forma como a resistência à mudança pode ser ultrapassada por meio de tácticas inteligentes. O livro conta a história de um pinguim que tenta chamar a atenção da sua comunidade, habituada a viver de acordo com a tradição, para um problema ameaçador, mas ao princípio ninguém o ouve. Está claro, recomenda-se a leitura 🙂

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The Facebook Era

As redes sociais online têm mudado os nossos hábitos de vida e a forma como interagimos e comunicamos com outros. Mas também se apresentam como ferramentas idóneas para estabelecer relações próximas com os clientes/consumidores, para auxiliar processos de recrutamento e de co-produção de novos produtos/inovação.

Para quem procura um livro capaz de prover informação sobre o percurso das redes sociais, explicações sobre como estas redes estão a transformar o negócio, culminando com um guia “step-by-step“ para usar o Facebook de um ponto vista empresarial, este é “o tal”.

A autora, Clara Shih, trabalhou anteriormente para a Microsoft e a Google. Neste momento dirige a sua própria empresa de software de social media Hearsay Labs.

“Clara’s book is a fun read and can be useful to anyone who wants to learn more about this powerful new era we’re in of social business.”

–Tony Hsieh, CEO, Zappos

Groundswell

O termo Groundswell foi cunhado pelos autores do livro, Charlene Li e Josh Bernoff, com o intuito de explicar/representar a tendência social que leva as pessoas a usar as novas tecnologias para obter informações, debater sobre produtos, organizações, umas com as outras. Um fenómeno global, imparável que afecta todas as indústrias colocando-as numa situação de vulnerabilidade.

Muito embora não se trate de um livro novo,  continua a ser uma opção válida para quem está interessado em aprender a usar os novos media sociais para entrar em contacto com o seu público e converter uma ameaça numa oportunidade.

Os autores (analistas da Forrester) apresentam uma análise exaustiva sobre as tecnologias sociais (blogs, redes sociais, wikis, forums, rss, widgets…), sugerem ferramentas para avaliar e seleccionar estratégias de entrada no mundo online com os respectivos pros e contras e ainda um perfil psicográfico do utilizador (que denominam de “social technographics profile”) elaborado a partir de una investigação própria. Tudo isto acompanhado de vários exemplos e de casos práticos.

Meatball sundae

No livro Meatball Sundae, Seth Godin, considerado pela publicação Business Week como “o maior empreendedor da era da informação”, e já mencionado neste blog, explica o que está mal na pergunta que muitos marketeers fazem em relação aos novos media decorrentes da Web 2.0: “Como podemos fazer com que isto trabalhe para nós?”

Meatball Sundae é um guia essencial para a mudança que ocorre no mundo do marketing e dos negócios, tendo a capacidade de mostrar como deve alinhar o seu negócio à nova realidade.

Godin explica como a pergunta do século XXI deverá ser: “Como podemos alterar o nosso negócio de modo a sermos uma organização que prospera com o novo marketing?” (‘How can we alter our business to become an organization that thrives on new marketing?’). O uso do social media apenas para “estar na moda” é completamente desaconselhado, até porque o público perceberá rapidamente a falta de autenticidade (e de mudança) no seu comportamento. Por essa razão, o autor argumenta que para uma organização entrar no mundo digital deve repensar toda sua estrutura e narrativa, além de desenvolver produtos e serviços que satisfaçam as necessidades das pessoas, ao ponto de sentirem vontade de partilhar as suas experiências nos canais disponíveis (fóruns, vlogs, blogs, sms, etc).

Tribos

Esta semana recomendo o livro “Tribos” de Seth Godin, um dos mais conhecidos gurus do marketing norte-americanos.

Uma tribo é um grupo de pessoas ligadas umas às outras por um líder e por uma ideia. As tribos fazem parte da natureza humana. Por milhões de anos temos procurado pertencer a tribos, sejam elas religiosas, étnicas, económicas, políticas ou mesmo musicais.

Presentemente a Internet eliminou as barreiras geográficas, custo e tempo. Todos os blogs e sites de redes sociais estão a ajudar as tribos existentes a crescerem e a permitir a criação de novas tribos interessadas, por exemplo, nos iPhones, numa campanha política ou numa nova forma de combater o aquecimento global.

Quem vai liderar estas tribos?

A Web por si só não pode fornecer a liderança, cabe a pessoas apaixonadas por um tema essa função, e qualquer pessoa que queira fazer a diferença nos dias de hoje tem as ferramentas ao seu alcance.

Este livro mostra, através de uma série de case-studies, que todos nós podemos ser líderes, se acreditarmos, e que as tribos são o movimento do futuro. Inovadores inteligentes conseguem criar produtos, serviços e passar mensagens que mantêm estas tribos a funcionar. E o autor dá o exemplo de casos de sucesso como a campanha de Barak Obama, o Facebook ou o Hi5.

Sobre o autor:

Seth Godin (1960) é autor de sete livros, todos bestsellers em mais de 15 línguas. Jornais lidos em todo o mundo dos negócios, como o The Wall Street JournalForbesFortune promoveram a sua obra e as suas ideias.

Neuromarketing

Neuromarketing é uma área do marketing que se une à ciência e que estuda o comportamento do consumidor, os seus desejos, impulsos e motivações através da análise das reações neurológicas a estímulos externos.

Para isso, recorre-se a tecnologias de Imagem por Ressonância Magnética funcional (RMf), por exemplo, com o intuito de medir a quantidade de sangue oxigenado no cérebro, podendo assim identificar com precisão as variações das suas atividades. Quanto mais uma determinada zona do cérebro estiver a trabalhar, maior o seu consumo de hemoglobina, ou seja, maior a presença de oxigénio e glicose nessa mesma região.

O termo “Neuromarketing” foi introduzido por Ale Smidts, professor de Marketing na Erasmus University em Roterdã, Holanda. Porém, foi Gerald Zaltman (de quem já falámos neste post), médico e investigador da universidade norte-americana Harvard, que teve a idéia de usar aparelhos de ressonância magnética para fins de Marketing, e não médicos.

Para quem estiver interessado em conhecer melhor esta ciência, sugiro a leitura do livro Buyology: Truth and Lies About Why We Buy, de Martin Lindstrom.

Total Relationship Marketing

“Total Relationship Marketing: Marketing management, relationship strategy, CRM, and a new dominant logic for the value-creating network economy”, de Evert Gummesson, é o livro que se recomenda esta semana.

Uma obra que reúne a mais completa e coerente visão de marketing de relacionamento e CRM, no qual Gummesson aborda o modelo dos 30 relacionamentos (30 Rs), um sofisticado e relevante desafio ao tradicional esquema dos 4Ps. Rico em informação, com estilo prático e muitas ilustrações de empresas reais, o livro “Total Relationship Marketing” tornou-se num best-seller e foi nomeado Melhor Livro de Marketing do Ano pela Federação Sueca de Marketing, e em 1999 ganhou o Prêmio Chris Ottander.