De “Yes we can” para “Forward”

Há já umas semanas que o slogan da segunda campanha do actual presidente norte-americano foi revelado, num vídeo de 7 minutos, que pretende realçar a ideia de que ainda há trabalho a fazer daqui para a frente: “Forward” (“para a frente”).

Como seria de esperar, este slogan ainda “fresquinho” já tem feito correr muita tinta (ou devo antes dizer, numa altura tão digital quanto a nossa, caracteres electrónicos), sendo acusado por alguns (como o jornal “The Washington Times”) de ter uma relação próxima com o Marxismo Europeu (lembremo-nos do “Avante”, nome do jornal oficial do Partido Comunista Português).

Vale a pena lembrar a primeira campanha presidencial do candidato, sob o slogan “Yes, we can”:

Numa breve análise numérica, a primeira campanha de Obama durou sensivelmente dois anos e resultou de um planeamento cuidadoso. Dirigindo-se a cerca de 73% da população total (o número de internautas nos EUA remota os 200 milhões), Obama não se limitou a produzir conteúdo para obter visibilidade (publicidade), dando especial atenção à interacção e participação. Os seus três objectivos-chave foram: envolver a audiência, dar “power to the people” e transmitir autenticidade. Foi assim que conseguiu mais de 400 mil posts no blog  MyBO e 39% de entradas para procurar material não apresentado pelos media (agendas, discursos, etc) – uma evidência clara do interesse em conhecer o candidato e possivelmente de fonte de informação para os jornalistas.

O que a campanha de Obama trouxe de novo para a vida política consistiu num novo modelo relacional entre o candidato e os eleitores que contribuiu para o granjear de uma participação activa e directa por parte dos últimos, usando para isso o poder das novas tecnologias. De facto, a combinação ideal dos novos meios de comunicação e os antigos foi decisiva. É importante não descurar que apesar do número de cibernautas crescer ano após ano nem todos os cidadãos estão presentes no mundo virtual ou participam nas redes sociais.

À semelhança do que aconteceu nas eleições presidenciais de 1960 disputadas por Kennedy e Nixon que ficaram marcadas pelo reconhecimento do poder da televisão na decisão de voto dos eleitores, também as eleições americanas de 2008 entre Obama e John McCain ficaram na memória como as primeiras campanhas que souberam usar o poder da internet, nomeadamente da Web 2.0. Não significa isto que tenham sido os primeiros candidatos a apostar na Internet. Pelo contrário, considera-se que a primeira campanha Web surgiu em 1992, quando a equipa do então candidato Bill Clinton colocou alguns excertos dos discursos e algumas notas bibliográficas num servidor primitivo situado na Universidade de Carolina do Norte – Chapel Hill. Tal sucedeu antes da adopção do HTML e do browser gráfico.

Deixo-vos o referido video da segunda campanha de Barack Obama:

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