Valorize a sua marca no Facebook

AMBarreto_-_Capa_Frontal_Jpeg_mediumVenho por este meio dar a conhecer o meu último trabalho, o livro “Valorize a sua marca no Facebook”.

Presentemente o uso das redes sociais online por parte das organizações é já um facto consumado. No entanto, permanece por responder uma questão essencial: qual o impacto da participação das marcas nas redes sociais online no seu brand equity?

Para além de uma revisão da literatura académica e da apresentação de um enquadramento conceptual em quatro domínios (brand equity, sites de redes sociais, dinâmica social e disseminação de informação), o leitor encontrará neste livro um exemplo da utilização combinada de diferentes técnicas e disciplinas, como a netnografia, a econometria, estatística e a aplicação de tecnologia eye tracking.

Este é um livro fundamental tanto no mundo das empresas e das agências de comunicação, como na esfera académica, que visa perceber como se pode valorizar uma marca no Facebook e medir o impacto dessa participação no brand equity.

Para os curiosos, deixo-vos um link para o índice do livro. Enjoy! 🙂

Índice do livro Valorize a sua Marca no Facebook

Curiosidades sobre o passa-palavra

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Investigadores e profissionais têm há muito reconhecido o fenómeno do passa-palavra como uma das fontes de informação mais influentes desde o início da sociedade humana, sendo que as redes sociais representam uma componente importante para a ocorrência de passa-palavra, uma vez que ajudam a manter a circulação do fluxo de informação.
Eis algumas curiosidades a ter em conta aquando da implementação da sua campanha de buzz marketing:

– quando os consumidores estão satisfeitos com um produto/serviço, poderá ocorrer passa-palavra positivo. Por outro lado, quando as suas expectativas e percepções não foram alcançadas com sucesso, poderá ocorrer passa-palavra negativo.

– o passa-palavra negativo poderá estar associado à lealdade. Isto é, os clientes que se descrevem como clientes leais de uma marca estão significativamente menos propensos a emitir passa-palavra quando a sua satisfação é alta. Por outro lado, estão mais propensos a se envolverem em passa-palavra negativo quando estão insatisfeitos.

– a produção de passa-palavra poderá ser vista como uma forma de chamar a atenção e de mostrar conhecimento da parte do emissor.

– existe de uma relação positiva entre o passa-palavra e o volume de vendas: o passa-palavra altamente positivo pode conduzir a mais vendas, e o passa-palavra negativo pode conduzir a poucas vendas.

– o passa-palavra positivo é na sua natureza cognitivo/racional, muitas vezes associado à qualidade do serviço, sendo distribuído por altruísmo e auto-valorização. O passa-palavra negativo tende a ser emocional e a estar associado à insatisfação.

– o passa-palavra negativo tem uma influência mais forte nas avaliações de marca dos clientes e nas decisões de compra do que o passa-palavra positivo, enquanto que o passa-palavra positivo tem mais impacto sobre a disseminação de informações sobre a marca, produto ou serviço.

-os consumidores não atribuem considerações equitativas aos comentários positivos e negativos sobre produtos/serviços, uma vez que os objectivos de consumo influenciam as avaliações dos produtos analisados. Por exemplo, os consumidores que avaliam os produtos/serviços associados a objectivos de consumo de promoção (como software de edição de fotos) percepcionam os comentários positivos como sendo mais persuasivos do que os negativos. Por outro lado, os consumidores que avaliam produtos associados a objectivos de consumo de prevenção (como software anti-vírus) percepcionam os comentários negativos como sendo mais persuasivos do que os positivos.

– a predisposição para a ocorrência de passa-palavra varia de acordo com o tipo de produto. Nesse sentido, os consumidores não só estão mais propensos a produzir passa-palavra para os produtos que são relevantes para o auto-conceito (em comparação com os produtos utilitários), mas também estão mais propensos a exagerar os benefícios desses produtos, uma vez mais em comparação com os produtos utilitários. Isto porque o passa-palavra relativamente a produtos auto-relevantes serve como meio de auto-apresentação, enquanto que o passa-palavra sobre produtos utilitários não fornece os mesmos benefícios sociais.

– alguns investigadores acreditam que o poder explicativo do passa-palavra não provém da sua valência, mas do volume, e, apesar do volume e a valência terem efeitos sobre as vendas, essa influência é desigual.

– o passa-palavra geralmente envolve fontes de informação que os consumidores consideram ser mais credíveis do que as fontes comerciais. A explicação reside no facto de que as primeiras são percebidas como independentes, sem qualquer interesse em obter lucro com a partilha de informações. Razão pela qual o passa-palavra é sete vezes mais eficaz do que a publicidade quando se trata de influenciar os consumidores a trocar de marca.

– o passa-palavra tem maiores repercussões e produz maior elasticidade de resposta em comparação com as tradicionais formas de marketing. Isto é, o seu efeito dura mais tempo do que a publicidade.

A influência feminina no Social Media

Num post anterior falámos sobre o facto de as redes sociais online serem cada vez mais usadas por um público majoritariamente feminino e em função desse facto foi sugerido que os gestores de comunicação e marketers deveriam dar especial atenção a este grupo no sentido de valorizar o seu potencial como propagador gratuito de mensagens comerciais (link do post aqui). Hoje trago os números que suportam essa sugestão:

womDe acordo com um estudo da empresa Keller Fay’s Talk Track, as mulheres falam 13% mais sobre marcas por semana do que os homens e estão mais propícias a comprar com base na informação recolhida no passa palavra (word of mouth), confirmando a credibilidade dada à informação obtida.

Quando questionados sobre quem dá as melhores recomendações, tanto os homens como as mulheres reconhecem que é o público feminino, reforçanco a importância deste grupo como fonte de informação no processo de tomada de decisão de compra.

influencia feminina no social media

Em relação aos hábitos de recolha de informação das mulheres, estas preferem recorrer aos blogs, em detrimento das redes sociais Facebook, Twitter e Pinterest, que são vistos como espaços de entretenimento (resultados divulgados pela BlogHer).

Tendo em conta estes resultados, não é descabido pensar que as mulheres devem ser percebidas como os embaixadores idóneos de uma marca e que por essa razão os gestores de comunicção e marketers devem encontrar formas de se relacionarem com este grupo por exemplo nas redes sociais online, preferencialmente através de conversas bidirecionais e menos através de métodos unidirecionais, como os anúncios publicitários.

Fonte: Grupo Keller Fay’s Talk Track, BlogHer e revista Forbes.

Confiança e social media

Não há outra palavra mais importante do que confiança quando se trata de fazer negócios. Ela é a base de todas as relações positivas, especialmente num mundo cada vez mais social. Sem confiança não há campanha, nem criatividade, capaz de o ajudar a alcançar os resultados desejados.

A particularidade do tema da confiança é que nem sempre os julgamentos feitos pelo seu público são os mais justos, já que, com pouca ou muita informação, tendemos a construir julgamentos sobre outras pessoas ou marcas. Por exemplo, a psicologia social mostra-nos que quando avaliamos os nossos próprios erros tendemos a culpar a situação (o trânsito, um problema no trabalho, um colega arrogante, uma noite mal dormida, etc.). Por outro lado, quando os outros cometem um erro, a culpa costuma residir na sua personalidade (porque é incompetente, egoísta, negligente, etc). Uma das possíveis razões para esta atitude consiste no facto de muitas vezes desconhecermos as razões que estão por detrás das acções das outras pessoas.

Construir confiança não sucede de um dia para o outro. Mesmo que a sua marca seja credível no mundo offline, é importante não esquecer que essa confiança nem sempre passa para o mundo online, onde não dispomos da vantagem de usar a comunicação não-verbal para reforçar ou complementar as nossas mensagens.

Por isso, eis algumas observações e dicas a ter em conta:

– Seja verdadeiro e transparente – mais depressa se apanha um mentiroso, do que um cocho.

– Ouça o que os seus consumidores ou clientes têm a dizer das suas decisões/acções e, se for o caso, seja o primeiro a reconhecer os seus erros.

– Não abuse da confiança que o consumidor lhe dá. Opt-in e opt-out são regras básicas em qualquer estratégia de email marketing.

– Ser o primeiro ou ser uma autoridade num determinado tema ajuda a obter maior atenção, mas não dá necessáriamente credibilidade e confiança. Esta consegue-se com trabalho e constância.

– Quando comunica com o seu target seja menos egocêntrico, que é como quem diz, não se foque unicamente na sua empresa, nos seus serviços ou produtos e no seu valor. Dê algo mais ao seu público, como conteúdo divertido, que entretenha.

– Aquando da construção da politica de privacidade tenha em conta os seus interesses e os do seu público.

– Mostre ao seu público que se preocupa também com ele e com os outros – responsabilidade social é a palavra-chave.

– Para estabelecer uma relação de confiança, recorrer ao vídeo poderá ser uma opção  idónea. Quanto mais informação um meio poder transmitir, mais completa estará a mensagem e maior o número de informação que o receptor obterá para poder avaliar o grau de confiança que irá depositar.

Deixo-vos um exemplo. Em 2009, o presidente da Domino’s Pizza, Patrick Doyle, por duas vezes teve que se dirigir aos seus consumidores via vídeo. Uma vez para pedir desculpas por uma brincadeira de um empregado, e outra para prometer fazer a mais saborosa pizza.

Reparem como os níveis de confiança reagem ao pedido de desculpas de Doyle (ver vídeo que se segue):

Tem a certeza que está a usar bem o social media?

Nem sempre os resultados provenientes do uso do social media coincidem com os objectivos previamente estipulados. E, aparentemente, tudo foi feito “como deve ser”. Uma possível causa poderá ser porque está a replicar antigas técnicas em novos métodos.

Durante o século passado o objectivo número um de muitos departamentos de marketing e de comunicação consistia em influenciar as percepções dos consumidores e o seu comportamento através de propagandas, descontos, garantias, apoio de celebridades, etc. Medidas essencialmente sensoriais ou emocionais que visavam estimular o desejo do comprador e consequentemente a compra. Por falta de tempo ou de informação, nem sempre o consumidor tinha a possibilidade de racionalmente distinguir uma marca ou oferta de outra e a eficácia destas acções eram muitas vezes um facto consumado.

Porém, com o advento da Internet, designadamente da Web 2.0, o acesso a informação imediata, útil e grátis alterou o contexto onde o marketing opera e deu força ao consumidor.

Para continuar a ler este post, escrito para o blog http://www.marketingtecnologico.com, carregue neste link.

buzz

Conversas com…Nathalie Nahai

A mais recente convidada para a rubrica “Conversas com…” é a oradora internacional e investigadora Nathalie Nahai, já nossa conhecida através do post Psicologia Web.

Nos seguintes parágrafos, Nathalie fala-nos sobre como a área da Psicologia Web nasceu; que tipo de sensibilidade as organizações demonstram em relação à combinação das áreas da psicologia e do web design; o impacto da Internet na influência das relações para-sociais; e finalmente sobre o seu livro recentemente publicado (“Webs of Influence. The Psychology of Online Persuasion”).

1 – How did the idea of studying web psychology come out and how do you define the concept? 

I decided to coin the term ‘ Web Psychology’ when I realised that there was no single, over-arching definition for the general study of how our online environments effect our behaviour. Given the sheer amount of exciting research that is being generated in this area (from human-computer interaction to social psychology and neuroaesthetics), I wanted to create a definition that described the points at which all these different fields of study intersect.

2 – Do you believe organizations are currently sensible to the relation between psychology and web design? 
Sadly not, though there are a few brave outliers who are leading the way in this respect.

3- You also study the impact between influence and people’s roles. In a campaign context, do you think the Internet had any impact on the influence of parasocial-relationships?
Yes – research shows that even in the case of passive visual media, such as Television, we come to form parasocial relationships with our favourite fictional characters, and that this one-way emotional connection can help buffer against real-world loneliness and sadness. Translate this across to an interactive visual medium (online) and you can see how in a campaign context the impact of those pseudo-social relationships can become amplified.

Are peer-to-peer relationships now more powerful or both type of relationships have the same kind of influence?

Peer-to-peer relationships have always been important – they’re one of the primary groups from which we seek social validation and as such we depend on them to bolster our sense of self-worth and help us reach a deeper understanding of ourselves. It’s the same online, though with our ability to project censored, idealised versions of ourselves via platforms such as Facebook, Twitter etc. comes the added difficulty of connecting with and trying to match up to the fake lives of others- which can cause serious problems.

4 – What can we expect from your book that will be published in October? 
Reading the book will benefit my audiences in three key ways:

Firstly, it provides readers with vital insights into the hidden psychology of their their online audience – from how our brains make decisions to who’s online and why. The book also explores the impact of individual and cultural differences on our online experiences.

Secondly, it outlines the principles you need to communicate more persuasively with your customers – from your website and the images you use, to your videos, colour use and social media.

Finally, readers will come away with the techniques and principles they need to stand out in a crowded market and make more sales. From the six principles of persuasion and how to build reputational capital, to the psychology of pricing and value, this book will equip its readers with the psychological tools they need to take their online business to the next level.

O regresso do marketing de influência

“Return On Influence: The Revolutionary Power of Klout, Social Scoring, and Influence Marketing”, de Mark Schaefer é o livro que sugiro este mês.

A “influência” tem sido um dos aspectos mais estudados nas áreas da política, marketing, sociologia, psicologia e, ainda assim, segundo o autor, ainda não foi totalmente medida estatisticamente. Pelo menos, até agora.

O simples acto de criar conteúdo nos blogs, Facebook e Twitter consiste numa acção. Ter um link clicado, ou uma mensagem twittada, é um efeito. Isto significa que actualmente existem variáveis que podem ser medidas neste campo.

No mundo online, a capacidade de mover uma ideia ou opinião através de uma rede social online envolvida cria influência (aqui o conceito de rede social online deve ser percebido como fenómeno), na medida em que ao medir o conteúdo que circula através desse sistema, será possível quantificar uma parte do processo de influência.

De acordo com Mark Schaefer, “pela primeira vez as pequenas e grandes empresas poderão identificar os influenciadores  apaixonados, entrar em contacto com eles e torná-los em embaixadores da marca”.

Cria-se assim um novo canal de marketing que complementa os métodos tradicionais. Um método que já provou ser rentável, ao demonstrar que o custo por impressão é tão bom, ou melhor, do que a publicidade paga, além de ser orgânico, visto vez que é criado por pessoas que já gostavam e seguiam as marcas.

Mark W. Schaefer (@markwschaefer ) é um educador globalmente-reconhecido, palestrante, consultor de empresas, autor e blogger, tendo sido nomeado pela revista Forbes como um dos 50 melhores de mídia social “Power Influencers”. O seu blog http://www.businessesGROW.com consta na lista dos AdAge Top 100 blogs de marketing do mundo. Mark trabalhou em global sales, PR e marketing durante quase 30 anos, sendo que agora presta serviços de consultoria como Director Executivo da empresa norte-americana Schaefer Marketing Solutions.