E assim se foi a política de transparência da edp

As páginas da EDP no Facebook e no Twitter estão a ser esta semana inundadas com centenas de comentários depreciativos sobre a empresa. Tudo começou quando no domingo uma usuária da primeira rede colocou no mural da marca a seguinte mensagem: “Eu não pedi um Plano Nacional de Barragens”, seguido do link para o grupo no Facebook que pretende combater os projectos de expansão das barragens. Passados alguns minutos, a marca explicou no mural que iria apagar o post por não respeitar o Código de Conduta, tendo recomendado à visada a participação na sua comunidade “com as suas críticas construtivas”.

Ter presença nas redes sociais nos dias de hoje pode constituir uma oportunidade sem precedentes para, de um modo directo, conviver com o público-objectivo, fomentar a participação deste último na construção do valor das marca, comunicar de forma bidireccional, entre outras situações.

Mas está equivocado quem pensa que a marca poderá controlar todo o conteúdo exposto, designadamente pelos consumidores. O tempo do domínio sobre o que é difundido em relação a uma marca já foi. Vivemos numa era em que, quer queira, quer não, o consumidor também tem uma palavra a dizer. Isto é o que realmente significa viver na era da web 2.0. Doutra forma, apenas estão a ser usados os velhos métodos em novos canais, não desfrutando do potencial que esses canais trazem.

Se genuinamente pretende estabelecer uma relação de parceria com o seu target (o que me parece correcto) é importante aceitar tanto o bom como o mau que possa advir dessa relação. As redes sociais não servem apenas para receber likes ou fazer publicidade a produtos/serviços. Use-as habilmente para ouvir e sempre que possível esclarecer o seu público, para converter consumidores insatisfeitos em satisfeitos. A menos que se trate de ofensas, em prol de uma politica de transparência não apague os comentários que os consumidores lhe deixam.

Ainda que  a edp tenha sido tomada pelo bom senso depois do infeliz episódio, a verdade é que dificilmente será esquecido o que aconteceu. Aprendam a usar as redes sociais. E sobretudo, aprendam com os erros dos outros.