Uma caverna e um icebergue

Quem me conhece possivelmente já me ouviu contar a célebre alegoria da caverna de Platão (retirada do livro “A República”), já que para mim continua a ser um excelente exemplo de como diferentes pessoas reagem à mudança. Para quem ainda não a conhece, eis a história:

Imaginem uma caverna onde vive um grupo de pessoas que nunca saiu à rua. Entre a caverna e o exterior encontra-se um muro e uma fresta deixa passar um feixe de luz exterior. Estas pessoas estão de costas para a entrada, acorrentadas, sem se poder mover, forçadas a olhar somente para a parede. Nesta são projectadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Os prisioneiros julgam portanto que as sombras representam a realidade. Um dia, um dos prisioneiros consegue escapar e sair à rua. Imediatamente descobre que tudo o que ele acreditava existir são meras sombras da realidade, sendo que o mundo exterior é mais rico do que alguma vez poderia imaginar. Então, lembra-se dos seus companheiros e do quão errados estão. Decide voltar para partilhar com eles o que viu e sabe. Os companheiros ouvem o relato do colega embasbacados e no final matam-no por o considerarem louco e mentiroso.

Para algumas pessoas torna-se mais fácil negar a nova realidade ou mesmo desvalorizar os sinais que são dados por terceiros do que deixar a zona confortável a que se habituaram e que dominam. Aceitar a mudança poderá implicar pôr em causa as próprias bases de uma actividade, forma de pensar ou mesmo de viver e a resistência a ela não tem que necessariamente ter que ver com a idade, como crêem alguns, mas sim com o comodismo, a auto-confiança, o modo como se reage perante o risco, o desconhecido.

A propósito de gestão de mudanças, recentemente (2011) Kotler e Rathgeber publicaram o livro “O nosso icebergue está a derreter“, que pretende mostrar a forma como a resistência à mudança pode ser ultrapassada por meio de tácticas inteligentes. O livro conta a história de um pinguim que tenta chamar a atenção da sua comunidade, habituada a viver de acordo com a tradição, para um problema ameaçador, mas ao princípio ninguém o ouve. Está claro, recomenda-se a leitura 🙂