As redes sociais são cor-de-rosa

Historicamente, a Internet tem sido vista como um meio capaz de atrair um público essencialmente masculino, jovem, com altos níveis de educação. No entanto esta tendência já não retrata a realidade actual de forma completa.

De acordo com a investigadora Auren Hoffman (2008) o comportamento on-line feminino está mais focado nos relacionamentos do que o masculino. Por outras palavras, as mulheres gastam mais tempo nas redes sociais do que os homens (com a excepção da rede LinkedIn), ocupando-se com a construção de relações com os actuais e novos amigos, e por essa razão elas lideram no uso das redes sociais. Enquanto que os homens preferem passar o seu tempo com jogos, como World of Warcraft ou os jogos de poker.

 

Se tivermos em consideração que as mulheres tendem a gastar mais dinheiro e a falar mais sobre as suas compras com a sua rede de contactos do que os homens, será de esperar que estejam mais propicias a propagar mensagens positivas sobre as suas actividades e a fazer recomendações. Assim sendo, elas representam um grupo de consumidores apetecível para as marcas que visam o passa palavra de uma campanha, por exemplo. 

(Imagem da autoria do Hubspot)

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Coca-Cola volta a fazer os trabalhos de casa

A recente campanha social media da Coca-Cola, promovida na Austrália em Outubro de 2011, tem ultimamente servido de exemplo para muitos marketers a nível internacional sobre como implementar uma campanha capaz de utilizar o contexto digital sem negligenciar a importância do mundo “offline”, de dar ao consumidor uma experiência única com a marca e simultaneamente personalizável.

Com o objectivo de ligar pessoas no mundo online e offline (“It is all about connecting people, mainly in the real world, but also digitally as well” refere a directora de marketing da Coca-Cola South Pacific, Lucie Austin ao jornal The Australian), a marca de bebidas mundialmente conhecida convidou os australianos a partilharem uma Coca-Cola com os seus amigos (lema da campanha: ‘Share a Coke with a Mate’). Para isso, informou-se sobre quais os 150 nomes mais populares e etnicamente representativos na Austrália e imprimiu-os nas suas latas e garrafas. Para além disso, os fans da marca na rede social Facebook têm ainda a possibilidade de criar os seus próprios anúncios Coca-Cola, utilizando imagens dos seus álbuns de fotos pessoais, passíveis de serem partilhados naquele site ou no YouTube, e de partilharem uma Coca-Cola virtual com amigos, estando habilitados a ganhar $50.000 que serão partilhados com amigos.

A campanha foi desenvolvida pela agência Ogilvy, Sydney, e a implementação digital foi entregue à Wunderman.

Facebook app da campanha “Share a Coke”, da Coca-Cola Australia:

The Facebook Era

As redes sociais online têm mudado os nossos hábitos de vida e a forma como interagimos e comunicamos com outros. Mas também se apresentam como ferramentas idóneas para estabelecer relações próximas com os clientes/consumidores, para auxiliar processos de recrutamento e de co-produção de novos produtos/inovação.

Para quem procura um livro capaz de prover informação sobre o percurso das redes sociais, explicações sobre como estas redes estão a transformar o negócio, culminando com um guia “step-by-step“ para usar o Facebook de um ponto vista empresarial, este é “o tal”.

A autora, Clara Shih, trabalhou anteriormente para a Microsoft e a Google. Neste momento dirige a sua própria empresa de software de social media Hearsay Labs.

“Clara’s book is a fun read and can be useful to anyone who wants to learn more about this powerful new era we’re in of social business.”

–Tony Hsieh, CEO, Zappos

Pinterest: “there’s a new kid in town”!

Pinterest (pin+interest) é uma nova rede social que permite que o utilizador faça uso de uma espécie de mural virtual, onde poderá criar e gerir colecções temáticas de imagens e de vídeos. Por outras palavras, têm ou já tiveram aqueles quadros de cortiça onde colocamos fotos, imagens, recortes de tudo e mais alguma coisa que gostamos? Pois o Pinterest é algo assim, mas num formato virtual e passível de ser acedido por várias pessoas. A missão expressa do site consiste em “ligar todas as pessoas do mundo através dos seus interesses” (“connect everyone in the world through the ‘things’ they find interesting“).

O desenvolvimento deste website começou em Dezembro de 2009, mas foi em Março de 2010 que começou a operar para convidados. Posteriormente, o registo no site passou a ser possível após solicitação por e-mail. A 16 de Agosto de 2011, a revista Time incluiu Pinterest na coluna dos “50 Melhores Sites de 2011”.

Não se trata de apenas um dos sites mais populares do momento, mas também um dos maiores condutores de tráfego para websites – FacebookTwitter e Google+, “watch your backs”. De facto, as fotos e os vídeos colocados nesta rede social online já geram mais visitas do que o Google+, YouTube e LinkedIn juntos!

O site cresceu de 1,6 milhões de visitantes em Setembro de 2011 para um estrondoso 11,1 milhões em Fevereiro de 2012. Presentemente, conta com uma média de 1,36 milhões de utilizadores diários. A maioria das imagens do site são relativas a decoração do lar, artesanato, moda e alimentos.

De acordo com o Google Ad Planner as mulheres constituem cerca de 82% dos utilizadores activos do site, especialmente aquelas com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos. Mas esta parece ser uma tendência geral: as mulheres envolvem-se mais na maioria dos sites de redes sociais, como Facebook e Twitter, chegando a passar 30% mais tempo do que os homens (Comscore).

Como o garoto novo na cidade, Pinterest continuará a dar que falar e a criar ondas no cenário do social media. É que até o co-fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, se juntou ao site dos pins.

Pinterest é gerido por Cold Brew Labs, uma equipa baseada em Palo Alto, California.

Facebook em números

Depois de apresentar os números de 2012 relativos à rede social Twitter (neste post), faz todo o sentido apresentar agora os do Facebook.

Sabia que o tempo médio despendido nesta rede é de 20 minutos por visita, que 53% dos utilizadores são mulheres e ainda que diariamente são carregadas 250 milhões de fotos?

Se não sabia, aproveite para dar uma vista de olhos no infographic que se segue, desenvolvido pelo Infographic Labs.

Espelho meu, espelho meu, haverá alguém com mais seguidores do que eu?

Sabia que a rede social Twitter conta já com cerca de meio bilião de utilizadores? Que são enviados diariamente sensivelmente 175 milhões de Tweets? Que o perfil mais seguido é o da Lady Gaga, próxima de conseguir 20 milhões de seguidores? E ainda que 69 por cento dos utilizadores seguem outros com base nas recomendações dos seus amigos?

Se não sabia, dê uma espreitadela nos dados estatísticos referentes ao uso desta rede social, durante o presente ano, desenvolvidos pelo Infographic Labs. Vai ver que encontrará mais dados curiosos e possivelmente úteis:

(Source: Infographic LabsTwitter bird via Shutterstock.)

Twitter e o célebre “lápis azul”

“É boa [a nova abordagem] para a liberdade de expressão, transparência e responsabilidade – e para os nossos utilizadores”. É a justificação dada pela rede social Twitter quando confrontada com a decisão de censurar os twitters contrários às leis do país onde são publicados, sempre que haja um pedido legal “válido e aplicável”.

As reacções dos utilizadores, previsivelmente pouco satisfeitos, não se fizeram esperar. Afinal de contas, falamos de uma situação em que primeiro é oferecido um serviço à sociedade, sendo inclusivamente usado pelas massas na construção/reforço do capital social e na sua mobilização (tomemos o recente exemplo da Primavera Árabe), para depois restringir o seu uso e, consequentemente, limitar o poder oferecido aos utilizadores. Um retrocesso será sempre contrário à evolução e como tal será sempre encarado de forma negativa.

Bom, e podem perguntar-me: o que é que isto tem a ver com a comunicação? Tudo. Antes de considerar oferecer serviços que possam acrescentar valor e permitir distinguir-se da concorrência, as marcas devem pensar não só a curto prazo, mas igualmente a médio e longo prazo. Lembrar-se que, se não for claramente explicada a durabilidade dessas “oferendas”, os clientes vão tomar como garantido esses serviços e quando quiser tirá-los eles não irão ceder facilmente e reagirão contra si. Daí que qualquer decisão deverá ser tomada de forma responsável, estrategicamente, já que tudo o que é dito e feito por uma organização constrói a imagem de marca.

A imagem, atrevo-me a dizer, romântica e revolucionária, do Twitter, como plataforma capaz de fornecer o poder da palavra e do conhecimento às massas, a de defensora da liberdade de expressão, foi inquestionavelmente abalada. Pois é, não se pode agradar a gregos e a troianos em simultâneo.

As cartas estão em cima da mesa: ou há Twitter, com censura, ou então não há Twitter para ninguém, para já em alguns países. O que preferem?

Se Pessoa aqui estivesse provavelmente diria, pelas palavras de Ricardo Reis,
“Para ser grande, sê inteiro : nada teu exagera ou exclui.”