Sobre como compra o consumidor de 2012

Recentemente deu-se mais um Black Friday nos Estados Unidos da América. Para quem desconhece, Black Friday é o nome dado ao dia seguinte ao Dia de Ação de Graças (Thanksgiving) nos Estados Unidos, muitas vezes considerado como o início da temporada de compras de Natal, sendo marcado por grandes descontos promovidos pelos vendedores, à semelhança do que acontece com o  Boxing Day em muitas das nações pertencentes ao Commonwealth.

2012-Black-Friday-2

Embora não seja um feriado, por ocorrer entre o dia de Thanksgiving e o fim-de-semana, é comum as escolas e algumas empresas estarem fechadas, aumentando o número de potenciais compradores. E os números falam por si: desde 2005 que é considerado o dia mais movimentado do ano.

A razão porque trago esta história é porque o Black Friday de este ano dá-nos interessantes inputs sobre como as tendências de consumo paulatinamente revelam algumas mudanças que podem ser traduzidas em futuras tendências.

Para começar, as vendas online durante o Thanksgiving aumentaram 17,4% (este ano o Black Friday começou um dia mais cedo), e durante o tradicional dia de Black Friday aumentaram 20,7% em relação ao ano anterior. Um facto que confirma o que já é antecipado, isto é que à medida que os consumidores experimentam o comércio online, vão-se rendendo aos seus benefícios.

As compras mobile chegaram e muito possivelmente vieram para ficar. 24% dos consumidores utilizaram dispositivos móveis para visitar os sites dos vendedores (em 2011 apenas 14,3% o fizeram) e as vendas mobile aumentaram de 9,8% em 2011 para 16% este ano.

2012-Black-Friday-1

O iPad também deu nas vistas este ano. Não só representou quase 10% das vendas online, como gerou maior tráfico do que qualquer outro tablet ou smartphone. Uma posição seguida pelo iPhone (8,7%), Android (5,5%). No que se refere a tablets, 88,3% do tráfico deveu-se ao iPad, 3,1% ao Barnes and Noble Nook, 2,4% ao Amazon Kindle e 1,8 ao Samsung Galaxy. De um modo geral, 58% dos consumidores usaram smartphones e 41% tablets para encontrar melhores ofertas.

Não é de surpreender que, com o acesso à informação ainda mais facilitado, as decisões de compra tenham sido mais racionais. Muito embora tenha-se verificado um aumento das vendas, os consumidores souberam tirar partido das oportunidades (como os descontos e free shipping), o que se traduziu numa queda no valor médio de pedidos de 4,7%. Isto é, os consumidores optaram por comprar mais frequentemente e menos quantidades em relação ao ano anterior (o número médio de itens por compra decresceu de 12% a 5,6%).

Quanto ao poder de influência nas compras da parte das redes sociais online, como o Facebook, Twitter, LinkedIn e YouTube, este decresceu 35% em comparação com 2011, gerando 0,34% de todas as vendas online durante o Black Friday.

Por fim, é importante não descurar que estes dados não devem ser extrapolados cegamente para qualquer outra realidade comercial, sendo imprescindível analisar e comparar o contexto sócio-económico e o grau de implementação dos novos media em cada caso. Por exemplo, não acredito que em Portugal os dados apresentados pudessem ser replicados por exemplo este ano. Porém estou convencida de que, no que toca a mudança de comportamento de compra, é apenas uma questão de tempo.

2012-Black-Friday-3

Anúncios

A eficácia dos anúncios mobile

De acordo com um estudo recente da Prosper Mobile Insights, aproximadamente 3 em 4 utilizadores mobiles (74,0%) prestam atenção aos anúncios enquanto que navegam na Web através do telemóvel, de forma regular (35,3%) ou ocasional (38,7%). Porém, a atenção diminui aquando do download de apps ou música, durante as compras ou jogo jogos.

Para além disso, 59.5% dos entrevistados que usam smartphone ou tablets dizem que regularmente (26,9%) ou ocasionalmente (32,6%) prestam atenção aos anúncios que vêem enquanto visitam as redes sociais com os seus dispositivos.

Finalmente, os homens estão mais propensos a prestar atenção aos anúncios e consequentemente a serem influenciados por eles do que as mulheres. Não obstante, é o grupo das mulheres (51% em comparação com os 40,1% do grupo masculino) que se revela pouco interessado em pagar para aceder a sites social media sem anúncios.

Fonte: http://www.marketingprofs.com/charts/2012/8139/do-mobile-users-pay-attention-to-mobile-ads?goback=%2Egde_65139_member_124357045

E para pagar, aqui está o telemóvel!

Imagine que vai tomar café e quando pede a conta percebe que se esqueceu da carteira. Vai daí que tira o telemóvel (entenda-se, smartphone) do bolso e usa-o para pagar, tal como se fosse um cartão multibanco ou de crédito.

Não se trata de ficção cientifica, mas de realidade. E quem sabe, brevemente poderá fazer parte dos seus hábitos, já que segundo um estudo da compete, uma vez que os consumidores começam a usar estes dispositivos para pagar, dificilmente deixam de o fazer.

A título de exemplo, dêem uma olhadela no vídeo que se segue e que explica como este tipo de sistema de pagamento é já possível nas lojas Starbucks:

Claro está que antes de este sistema se popularizar, alguns factores, tais como a segurança nos pagamentos, evitando qualquer tipo de fraudes, a simplicidade e a rapidez do processo devem ser rigorosamente analisados.

O certo é que presentemente os telemóveis deixaram de ser unicamente canais de comunicação, para serem também, entre outras funcionalidades, formas de pagamento, com a ambição de um dia substituírem os cartões bancários. Uma situação que, combinada com a geolocalização e com uma publicidade personalizada poderá trazer resultados interessantes.

Assim de repente, não vos lembra a famosa foto de Magritte “Ceci n’est pas une pipe“?

A criatividade e o m-marketing

Semana passada estive na Technology For Marketing & Advertising 2012 e gostava de partilhar convosco um vídeo que vi por lá:

Para comemorar a Fashion’s Night Out, NET-A-PORTER criou uma loja pop-up onde os visitantes podem fazer compras e ganhar prémios ao usar um aplicativo criado especialmente para o Smartphone ou iPad2.

Está claro que o sucesso de uma iniciativa deste tipo, embora interactiva e original, depende do grau de implementação das novas tecnologias na população-alvo. Nos EUA, por exemplo, quase metade dos adultos americanos possuem smartphones. Em Portugal, o total de utilizadores ronda os 358 mil utilizadores, segundo o Barómetro de Telecomunicações da Marktest. Ainda assim, os números representam o dobro da taxa de penetração destes aparelhos relativamente ao último ano.

Pode ser que esteja para breve uma acção daquele tipo nas ruas portuguesas! 🙂

Previsões Social Media para 2012

O site “Social Media Examiner” reuniu recentemente 30 previsões de social media experts para o ano 2012.

Segundo vários especialistas, este será o ano em que muitas empresas irão começar a entender o social media marketing e a usá-lo estrategicamente. Isto é, ao invés de quererem estar em todo o lado e de consequentemente diluírem os seus esforços no vasto mundo do social media, as marcas devem procurar estar de forma eficaz onde se encontra o seu público-alvo, mesmo que isso implique não ser no Facebook ou no Twitter. Para além disso, devem perguntar-se como poderão ajudar os seus clientes a ter sucesso (e não o inverso). A verdadeira atitude de uma empresa aparece de forma inevitável no seu comportamento: nos tópicos de conversação, nos tweets e actualizações de status, nas ofertas de negócio, etc.

As marcas devem ainda estar aptas para uma reacção ágil e em tempo real. Longe vão os dias em que levavam 6 meses para desenvolver e lançar uma campanha ou 5 dias para responder a um cliente insatisfeito.

Novos apps irão ajudar os cibernautas a lidar com o excesso de informação, o que se poderá traduzir numa melhoria da leitura e da partilha de conteúdo. Este último continuará a ser “rei”, havendo uma maior exigência por conteúdos úteis, com qualidade constante. É caso para dizer que a qualidade estará acima da quantidade.

2012 verá ainda maior actividade social nos dispositivos móveis. Uma quantidade significativa da actividade on-line que os consumidores anteriormente realizavam através de um computador espera-se que seja feita por meio de um smartphone ou tablet.

As redes sociais de topo (Twitter e Facebook) competirão através da adição de mais recursos e a concorrência da parte da Google+ previsivelmente aumentará. No que concerne ao Facebook, o seu crescimento irá inspirar as empresas a criar experiências únicas de marketing, através de aplicações sofisticadas e interactivas. Por sua vez, o Youtube vai finalmente ser reconhecido como uma grande rede social tal como deseja e a sua audiência (não apenas os criadores de conteúdo) irá obter maior diversão e interacção com o site.

A era do mobile marketing

Todos os dias, cada vez mais cibernautas usam o telemóvel para realizar procuras de informação online, ler notícias, encontrar direcções, assistir a vídeos, usar a rede social e investigar produtos ou comparar preços. De acordo com uma previsão da Wireless Intelligence, espera-se que no final do ano de 2011 o número total de conexões globais móveis ultrapasse os seis bilhões. Nos EUA, por exemplo, o tempo médio passado com os telemóveis é já de uma hora e cinco minutos por dia, contra os 44 minutos dedicados às publicações em papel (Meios e Publicidade).

Por essa razão o telemóvel está-se a tornar num canal idóneo para o estabelecimento de interacção (de engagement) entre a marca e o público-alvo e para fins comerciais. Segundo dados da Google, 79% dos usuários de smartphones já usou os seus telemóveis para ajudar a fazer compras, sendo que desse número 74% fez efectivamente compras. Uma pesquisa da Enders Analysis revela ainda que no Reino Unido 1 em cada 4 usuários de smartphones está exposto a publicidade móvel.

Contudo, a Google revela igualmente que apenas 21% dos principais anunciantes do mundo tem páginas optimizadas para formato móvel, o que levanta a questão se a actual experiência mobile do site tem sido positiva para o usuário.

Eis algumas sugestões a ter em conta aquando da construção da sua estratégia mobile:

– Importa saber de antemão a quem se dirige, o que pretende alcancar e como poderá usar a publicidade móvel como parte integrante da sua oferta aos clientes. Não se trata de acrescentar, mas de integrar na sua estratégia de modo a ser efectiva.

– Em seguida, decida qual será o seu “unique selling proposition”. Isto é, o que é que o vai diferenciar do resto da concorrência.

– Tenha em conta, por exemplo, os hábitos de uso: os usuários tendem a ser mais activos durante os períodos de almoço, noite e no fim-de-semana, quando não estão ligados a um computador.

– Não esquecer de que não se trata de encher o telemóvel com publicidade indesejada. Há que saber introduzir-se de forma discreta (no sentido de não ser imposta, mas sim desejada) e estratégica.

– Finalmente, faça uso da evolução das novas tecnologias que permite aos seus anúncios assumirem neste canal várias formas, como música, vídeo e “application downloader”.

Se estiver interessado em obter mais informações sobre este novo canal e como o aplicar, dê uma olhadela neste post!

“Usuários next generation”

Um estudo recente desenvolvido pela Universidade de Oxford revela que 44% dos britânicos faz parte do grupo “usuários next generation“, caracterizado por aceder à internet com frequência por meio de dispositivos portáteis, como os smartphones, tablets e e-readers, embora possuam três ou mais computadores.

Dentro das suas actividades online mais praticadas destacam-se o uso do email, a actualização das redes sociais e a procura de direcções. Esta geração está longe de ser considerada passiva, já que produz o seu próprio conteúdo online, como escrever blogs, manter websites pessoais ou interagir com as redes sociais.

Mais do que a idade, o que determina o uso destes aparelhos móveis é o rendimento. Existe uma evidente tendência para que os “usuários next generation” aufiram altos salários que permitam acompanhar as novas tendências electrónicas. Não obstante, também os estudantes (52%) fazem parte deste grupo. De facto, calcula-se que 99% dos jovens britânicos entre os 14 e os 17 anos usam internet, em comparação com um terço da população com idade superior a 65 anos. Por outro lado, os seniores, reformados e indivíduos com baixa escolaridade têm menores probabilidades de serem “usuários next generation“, embora 9% da população reformada faça parte do grupo.

Segundo o Professor William Dutton da Oxford Internet Institute (OII) o aumento de “usuários next generation” está a remodelar a forma como as pessoas usam a Internet, tornando-se numa parte central das suas vidas, particularmente na forma como se informam e se entretêm. O co-autor Dr. Grant Blank, também da OII acrescenta que estes usuários estão a a criar um novo estilo de interacção.

Finalmente, importa mencionar que o uso da Internet na Grã-Bretanha passou de 59% em 2003 para 73% em 2011.

Quem estiver interessado em obter mais informações poderá fazer o download do estudo aqui.