Hahtags – quando a mensagem se torna no meio

Para quem ainda não conhece, as hahtags (termo em inglês para definir o símbolo #) são palavras-chave escritas sem espaços que se transformam em links e que funcionam dentro de uma rede através da colocação do símbolo “#” antes de qualquer palavra. Elas são uma forma de expressão da cultura urbana e, tal como qualquer linguagem, possuem significados e formas de utilização próprias passíveis de evolução.

Tal como as tags, as hashtags são usadas para marcar  conteúdo visual ou verbal. Por exemplo, ao clicar numa hashtag chamada #sales, poderá ver todos os tweets que possuem a mesma hashtag.

Do ponto de vista comunicacional, as hashtags não devem ser ignoradas pois contribuem para uma maior visibilidade dos produtos, serviços ou mesmo eventos (como promoções) de uma marca ao amplificarem o seu alcance.

Uma hashtag ideal deve ser única, curta, capaz de definir o negócio da sua marca, de fácil memorização e ser usada de forma consistente. É importante promover o uso das suas hashtags como método de relacionamento entre a sua marca e o seu público, já que o objectivo é que sejam usadas pelo maior número de pessoas.

Outra recomendação consiste em ser rápido em detectar modas/tendências (trending hashtags), isto é, hashtags momentaneamente populares, e saber usá-las para conseguir uma maior exposição da sua marca. Nesse sentido, sugere-se o uso de sites de monitorização como o Twitter, Google+, hashtags.org, statigram, e o trendsmap.

A marca Oreo, por exemplo, é conhecida por saber tirar partido das trending hashtags. Durante o apagão da SuperBowl de 2013, ela foi das primeiras marcas a reagir com o seguinte tweet:

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Com esta mensagem a Oreo obteve cerca de 15.000 retweets (encaminhamento de um tweet) e mais de 20 mil likes no Facebook. Números que conseguiram ainda atrair a atenção dos media tradicionais que aclamaram a marca como vencedora do apagão da Super Bowl.

Como vê, é fácil proporcionar à sua marca “15 minutos de fama”. Basta para isso estar atento,  saber reagir atempadamente e um pouco de criatividade.

Sobre como compra o consumidor de 2012

Recentemente deu-se mais um Black Friday nos Estados Unidos da América. Para quem desconhece, Black Friday é o nome dado ao dia seguinte ao Dia de Ação de Graças (Thanksgiving) nos Estados Unidos, muitas vezes considerado como o início da temporada de compras de Natal, sendo marcado por grandes descontos promovidos pelos vendedores, à semelhança do que acontece com o  Boxing Day em muitas das nações pertencentes ao Commonwealth.

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Embora não seja um feriado, por ocorrer entre o dia de Thanksgiving e o fim-de-semana, é comum as escolas e algumas empresas estarem fechadas, aumentando o número de potenciais compradores. E os números falam por si: desde 2005 que é considerado o dia mais movimentado do ano.

A razão porque trago esta história é porque o Black Friday de este ano dá-nos interessantes inputs sobre como as tendências de consumo paulatinamente revelam algumas mudanças que podem ser traduzidas em futuras tendências.

Para começar, as vendas online durante o Thanksgiving aumentaram 17,4% (este ano o Black Friday começou um dia mais cedo), e durante o tradicional dia de Black Friday aumentaram 20,7% em relação ao ano anterior. Um facto que confirma o que já é antecipado, isto é que à medida que os consumidores experimentam o comércio online, vão-se rendendo aos seus benefícios.

As compras mobile chegaram e muito possivelmente vieram para ficar. 24% dos consumidores utilizaram dispositivos móveis para visitar os sites dos vendedores (em 2011 apenas 14,3% o fizeram) e as vendas mobile aumentaram de 9,8% em 2011 para 16% este ano.

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O iPad também deu nas vistas este ano. Não só representou quase 10% das vendas online, como gerou maior tráfico do que qualquer outro tablet ou smartphone. Uma posição seguida pelo iPhone (8,7%), Android (5,5%). No que se refere a tablets, 88,3% do tráfico deveu-se ao iPad, 3,1% ao Barnes and Noble Nook, 2,4% ao Amazon Kindle e 1,8 ao Samsung Galaxy. De um modo geral, 58% dos consumidores usaram smartphones e 41% tablets para encontrar melhores ofertas.

Não é de surpreender que, com o acesso à informação ainda mais facilitado, as decisões de compra tenham sido mais racionais. Muito embora tenha-se verificado um aumento das vendas, os consumidores souberam tirar partido das oportunidades (como os descontos e free shipping), o que se traduziu numa queda no valor médio de pedidos de 4,7%. Isto é, os consumidores optaram por comprar mais frequentemente e menos quantidades em relação ao ano anterior (o número médio de itens por compra decresceu de 12% a 5,6%).

Quanto ao poder de influência nas compras da parte das redes sociais online, como o Facebook, Twitter, LinkedIn e YouTube, este decresceu 35% em comparação com 2011, gerando 0,34% de todas as vendas online durante o Black Friday.

Por fim, é importante não descurar que estes dados não devem ser extrapolados cegamente para qualquer outra realidade comercial, sendo imprescindível analisar e comparar o contexto sócio-económico e o grau de implementação dos novos media em cada caso. Por exemplo, não acredito que em Portugal os dados apresentados pudessem ser replicados por exemplo este ano. Porém estou convencida de que, no que toca a mudança de comportamento de compra, é apenas uma questão de tempo.

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Conversas com… Diana Carriço

A 12 dias da realização do tão aguardado Evento TIN, sobre Tendências de Mentalidade, Inovação e NeuroMarketing, foi possível entrevistar Diana Carriço, CCO da LPDESIGN, uma agência criativa & indústria de produtos ‘flat-design’ com Sede em Portugal, e speaker internacional na área das Tendências, Marketing, Design e Criatividade. Diana faz ainda parte do corporate board do icaf.org – uma ONG que promove a criatividade nos adultos inspirando-se no Potencial criativo do público infantil.

– Considera que a área das Tendências em Portugal está a atingir a sua maturidade, ou ainda mal começou?

Numa altura em que atravessamos um downturn é inevitável ouvir-se falar de tendências e de todas as transformações que estas têm vindo a criar, seja em negócios já estabelecidos no mercado, seja em futuros negócios. No entanto, considero que em Portugal ainda se encontra em fase de crescimento, devido não só à falta de informação e estudos concretos na área, mas também pelo facto de haver alguma escassez de boas aplicações do estudo de tendências ao ramo empresarial que conseguissem gerar inovação e não apenas produtos / serviços ‘cool’. Continua a faltar ainda uma boa interligação entre a etapa de pesquisa de tendências, análise das mesmas e aplicação prática nas empresas com resultados inovadores.

– Do seu ponto de vista, quais devem ser as principais características de um Coolhunter?

Um cool hunter não é muito mais do que um investigador social e um antropólogo urbano em que a intuição, experiência e curiosidade natural são três palavras‐chave para se ser bom coolhunter. No entanto, não são suficientes para o desenvolvimento de um bom trabalho. Tendo por base experiência própria, um bom coolhunter deve ser curioso e mergulhar de alguma forma na cultura da cidade em que se insere; deve ter capacidade de organização do material e informações recolhidas; ser um jovem profissional qualificado que tenha alguma sensibilidade para a área criativa; ser apaixonado por tendências e pessoas; ter espírito empreendedor, ousado e pro‐activo/a e estar formatado para ter um pensamento de designer na solução de problemas ajuda em muito o trabalho de um cool hunter. Nesse sentido, formação na área ou em áreas complementares como design thinking, sociologia, cool hunting não são obrigatórias, como tudo na vida, mas tornam-se essenciais ao desenvolvimento de um bom trabalho.

– Quão importante é a integração da Análise de Tendências de Mentalidade na sua área profissional e porquê?

Sendo que a minha área profissional se traduz maioritariamente na criação de novos produtos na área do flat-design, uma área associada maioritariamente ao design de produto, a análise de tendências de mentalidade tem uma grande importância especialmente, no início do processo criativo. Perceber como é que a sociedade se comporta em determinados ambientes macro, saber porque é que determinados produtos considerados ‘cool’ muitas das vezes não passam de “fads” e não se chegam a tornar uma tendência de longo prazo são apenas algumas das questões a que uma boa análise de tendências consegue responder e fazer com que o processo criativo seja baseado em factos reais e não no “achómetro”, como a minha metade de marketer gosta de chamar, tornando o produto ou serviço final mais orientado para a realidade social .

– O que diria a uma pessoa que esteja interessada em saber mais sobre Análise de Tendências e a sua integração na sua área de negócio?

Pesquisar sobre o assunto, estar por dentro do que grandes agências internacionais da área têm vindo a fazer são claramente os primeiros passos para quem se quer introduzir no mundo das tendências. No entanto, diria que ser curioso/a, observador/a e critico/a. são igualmente essenciais. Existem várias formas e correntes de pensamento nesta área, como em quase todas as áreas afectas às ciências sociais, pelo que é importante  ter um elevado sentido crítico e questionar-se a si próprio sobre determinados métodos e cruzar métodos adequando-os ao negócio em causa ou, porque não, criar o seu próprio método de acção? Também gosto sempre de sugerir a pessoas que não têm formação em áreas criativas que apostem seja em cursos de pequena duração, como de longa duração e mais especializados (workshops, conferências, masters entre outros). E claro, o clássico cliché, artigos e livros. Actualmente existem muito poucos livros em Portugal sobre esta área em especifico, daí ter decidido em Janeiro lançar o “The Cool & The Beast”, que é um projecto que já começou no início deste ano, e que no fundo será um guia de como fazer cool hunting com uma abordagem muito prática e aplicada ao mundo empresarial, tendo como base conceitos do design thinking em todo esse processo.

Aproveito ainda para convidar para assistirem à TIN CONFERENCE, que no fundo, é uma conferência que aborda os principais aspectos do estudo de tendências, cool hunting, design thinking, até à parte da inovação e do próprio comportamento de consumo com recurso ao estudo do neuromarketing. Decididamente um evento a não perder para quem se quer introduzir neste mundo das tendências.